Cultura

Atores do Fazendo Arte interpretam agressão em terminais de Sorocaba e provocam reflexão: “Você ajudaria?”

Uma briga de casal em meio ao movimento de um terminal de ônibus. Ele grita, ela chora e pede para ser solta. Pessoas passam apressadas, algumas desviam o olhar, outras fingem não ver. A cena, infelizmente comum no dia a dia, era na verdade uma performance

Entre os dias 09 e 13 de fevereiro, os usuários dos terminais Santo Antônio e São Paulo, em Sorocaba, foram surpreendidos por uma ação da Associação Fazendo Arte em parceria com a Secretaria da Mulher, na figura da Secretaria Rosangela Percini. Os atores e atrizes, Alisson Araújo, Marielly Ideriha, Andre Luis, Mikaele Adriane, Vitor Souza e Madalena Silva e Marcos di Paula, encenaram uma briga de casal realista para provocar uma reflexão imediata: o que você faria se presenciasse uma agressão contra uma mulher?

A intervenção urbana fazia parte de uma campanha de conscientização pelo fim da violência contra mulher. Durante as performances, câmeras escondidas registraram as reações do público. Enquanto muitos se afastaram ou ignoraram a situação, outros decidiram intervir.

Marielly Ideriha e Alisson Araujo – Foto: Rose Campos

A reação do público

A ação contou com apoio da GCM de Sorocaba, que teve como objetivo principal testar os limites da omissão e da coragem da sociedade. Em diversos momentos, a encenação causou desconforto e hesitação.

Algumas pessoas chegavam a parar, observar de longe e seguir em frente. Mas houve quem atravessasse a cena para pedir para o agressor parar ou para perguntar se a mulher precisava de ajuda.

Imediatamente após a performance, os atores revelavam que se tratava de uma ação teatral e convidavam o público a refletir, onde equipes da Secretaria da Mulher estavam posicionadas para distribuir material informativo e orientar sobre os canais de denúncia.

Mada Silva, Vitor Souza e Marcos Di Paula

Choque de realidade

A escolha dos terminais Santo Antônio e São Paulo não foi por acaso. Os locais concentram grande circulação de pessoas e são espaços onde situações de violência podem passar despercebidas em meio à multidão.

A performance colocou o público diante de um “choque de realidade” para responder a uma pergunta incômoda: quantas mulheres sofrem caladas enquanto ninguém faz nada?

Durante toda a semana, a ação impactou centenas de passageiros que passavam pelos terminais. Além da performance, a equipe da Secretaria da Mulher orientou a população sobre os sinais da violência doméstica e a importância do Ligue 180.