“Aberto ao Público” tem ritmo, mas falta alma
Marcando sua estréia neste domingo (6) após o Fantástico, o novo programa da Globo, ‘Aberto ao Público’, chega embalado como uma promessa de humor espontâneo e dinâmico. Criado por Maurício Meirelles e dirigido por Gui Cintra, o programa coloca comediantes consagrados como Thiago Ventura, Murilo Couto, Bruna Louise e o próprio Meirelles no centro do palco, com a proposta ousada de fazer da plateia a grande protagonista
No papel, parece inovador. Na prática, tropeça na própria proposta…
O formato, baseado no improviso e na interação ao vivo com anônimos, tenta se vender como um caos controlado. O problema é que o controle parece perdido logo de cara:
- Com quadros desconexos;
- Excesso de ruído cênico e piadas que muitas vezes resvalam no constrangimento;
- O programa falha justamente onde deveria brilhar: na espontaneidade com conteúdo.
A edição, no entanto, é um ponto fora da curva. Com cortes ágeis, ritmo acelerado e algumas soluções criativas, os editores fazem mágica com o pouco que têm em mãos.
São eles que salvam o programa do desastre total, arrancando risadas onde, ao vivo, só haveria silêncio. Não é exagero dizer que os bastidores são mais eficientes do que os apresentadores em manter o interesse do público.

A tentativa de reforçar a audiência com celebridades como Deborah Secco, Denilson e Gracyanne Barbosa tampouco segura a estrutura frouxa. Quando um programa precisa ser salvo por fofocas recicladas — como a dívida entre Denilson e Belo sendo transformada em piada de abertura — é sinal de que o conteúdo original não se sustenta por si só.
Humor baseado na exposição ou humilhação disfarçada de descontração está cada vez mais fora de sintonia com o público, mesmo aquele que busca entretenimento leve no fim de semana.
Nas redes sociais, as reações foram divididas: parte do público enxergou uma proposta simples e honesta, voltada ao “público do sofá”, enquanto outros reclamaram do ritmo frenético, da trilha sonora exagerada e do tom infantilizado. A verdade, porém, é que ‘Aberto ao Público’ tem carisma, mas não tem alma.
É um programa com energia, mas sem propósito. E isso, para um formato que se pretende original, é fatal.
Resta saber se a Globo dará tempo para que a atração encontre sua identidade — ou se vai insistir em um espetáculo vazio, que grita para ser engraçado, mas esquece de ser relevante.
Em um momento em que a TV aberta precisa se reinventar, ‘Aberto ao Público’ parece mais uma tentativa desesperada de reciclar fórmulas desgastadas do que um passo verdadeiro rumo ao novo.

