Cultura

JÚNIOR MOSKO VOLTA AOS PALCOS COMO ATOR E CRIADOR EM UM MERGULHO ÍNTIMO SOBRE MEMÓRIA, VIDA E RECOMEÇOS

Depois de mais de uma década dedicado a inúmeros projetos na televisão, no teatro e na produção cultural, Júnior Mosko prepara seu retorno aos palcos como ator e criador. A última experiência nessa função aconteceu em 2012, com o espetáculo “Vazio”, que conquistou público e crítica e circulou pelo Estado de São Paulo por meio do ProAC.

Conhecido por sua capacidade de estar à frente de vários projetos simultaneamente, Júnior atualmente divide seu tempo entre a televisão, programas ao vivo, direção de espetáculos, criação artística e a coordenação de projetos culturais. Agora, porém, surge um desejo antigo: voltar a estar no palco.

O novo espetáculo, ainda em processo de criação, nasceu de maneira inesperada.

Segundo Júnior, a ideia não surgiu inicialmente com a intenção de montar um espetáculo.

“Esse projeto surgiu nas salas de ensaio, sem a pretensão de se tornar um espetáculo. Foi ganhando forma aos poucos. Eu não tenho pressa quando começo a criar, porque adoro a sala de ensaio. É ali que as coisas acontecem, que a ideia começa a respirar, se transforma e encontra seu caminho.”

E o caminho encontrado tem sido profundamente pessoal.

O espetáculo é um mergulho interno. Uma investigação sobre as marcas que o tempo deixa, sobre a infância, as memórias, os medos, as escolhas e a necessidade de reencontrar partes de nós mesmos que, em algum momento da vida, foram deixadas para trás.

A imagem das gaiolas, da palha e das asas atravessa a criação como uma metáfora para as prisões invisíveis que cada pessoa pode carregar. O menino que um dia foi livre para brincar, correr, dançar e sonhar vai descobrindo, ao longo da vida, que o mundo também ensina a ter medo de ser quem se é.

Mas a proposta não é apresentar respostas prontas.

É provocar perguntas.

É fazer com que cada espectador encontre, dentro daquela história, alguma coisa de sua própria trajetória.

A criação também vem sendo marcada por uma forte presença musical.

“Tem algo que eu gosto muito nesse espetáculo: ele é muito sensível à trilha sonora. A música tem um papel muito importante e a trilha que estamos construindo é linda. Ela não está ali apenas para acompanhar. Ela participa da história.”

O retorno ao palco acontece também em um momento especial da vida de Júnior.

A perda do pai provocou uma mudança profunda em suas prioridades e na maneira como passou a enxergar o tempo, a família e a própria vida.

“Depois da perda do meu pai, muita coisa mudou dentro de mim. Também mudei meu estilo de vida em função daquilo que hoje é minha prioridade: a família. E atualmente me dedico ainda mais à minha mãe. Isso me fez olhar para a vida de outra maneira.”

Talvez seja justamente por isso que esse retorno tenha acontecido agora.

Não por necessidade de provar alguma coisa.

Não para marcar simplesmente a volta de um ator aos palcos.

Mas porque existe uma história que precisa ser contada.

E existe um homem que, depois de tantos personagens, projetos, câmeras, palcos e responsabilidades, decidiu olhar novamente para dentro.

Júnior volta ao palco para encontrar um menino.

Um menino que brincava.

Que sonhava.

Que queria voar.

E que, talvez, nunca tenha deixado de esperar o momento de recuperar suas asas.

O espetáculo ainda está em processo de criação e, como o próprio artista define, não existe pressa.

Porque, para Júnior Mosko, talvez a parte mais bonita de criar não esteja apenas no espetáculo pronto.

Está no caminho.

Na sala de ensaio.

No silêncio entre uma cena e outra.

Na descoberta inesperada.

Na memória que reaparece.

No corpo que encontra um movimento.

Na música que provoca uma lembrança.

E na coragem de transformar tudo isso em teatro.

Depois de 14 anos, Júnior Mosko volta ao palco. Mas, desta vez, talvez o personagem mais importante seja aquele que ele passou a vida inteira tentando reencontrar.