Cultura

Júnior Mosko e Liedson Ferraz discutem os desafios e o futuro do teatro na era digital

Encontro em Recife reuniu o apresentador e diretor Júnior Mosko e o jornalista, pesquisador e crítico teatral Liedson Ferraz para uma reflexão sobre os caminhos das artes cênicas

RECIFE — Um encontro marcado pela troca de ideias, experiências e reflexões sobre o futuro do teatro. Assim pode ser definida a conversa entre Júnior Mosko e Liedson Ferraz, jornalista, pesquisador e crítico de teatro, durante a passagem de Mosko por Pernambuco.

Com trajetórias ligadas às artes cênicas, os dois discutiram o momento atual do teatro, as dificuldades enfrentadas pelos profissionais da área e os impactos provocados pelas novas tecnologias e pelas redes sociais no comportamento das novas gerações.



A preocupação com o futuro

Liedson Ferraz chamou atenção para uma questão que vem ganhando espaço entre pesquisadores, artistas e pensadores do teatro: qual será o futuro das artes cênicas diante de uma sociedade cada vez mais conectada às telas?

Para o jornalista e pesquisador, o crescimento das redes sociais e o tempo cada vez maior que crianças e jovens permanecem diante dos dispositivos digitais representam um desafio para a formação de público e para a própria relação das novas gerações com o teatro.

A preocupação não está apenas na tecnologia, mas na maneira como ela passou a ocupar espaço na vida cotidiana e na dificuldade de estimular a atenção, a presença e o contato direto que o teatro exige.

Tecnologia: ferramenta, não substituta

Júnior Mosko concorda que o cenário exige atenção, mas ressalta que a tecnologia não deve ser vista como inimiga da cultura.

Para Mosko, a tecnologia é uma ferramenta importante e pode ser utilizada em benefício da educação, da comunicação e das próprias artes. O desafio está em ensinar crianças e jovens a utilizá-la de maneira consciente e produtiva.

O diretor também defende que o contato com o teatro precisa continuar fazendo parte da formação das novas gerações.

Para ele, a experiência de estar diante de um palco, acompanhar uma história ao vivo e compartilhar aquele momento com outros espectadores é algo que nenhuma tela consegue reproduzir completamente.

O teatro como encontro

A conversa também passou pelas dificuldades enfrentadas atualmente pelos profissionais do teatro, desde a produção e financiamento até a formação de público e a manutenção dos espaços culturais.

Nesse cenário, Mosko e Liedson destacaram a importância de criar intercâmbios entre artistas, pesquisadores, críticos, produtores e pensadores das artes cênicas.

Mais do que encontros formais, essas trocas permitem que diferentes experiências sejam colocadas em diálogo e que novas ideias surjam para enfrentar os desafios do setor.

Pensar o teatro para além do palco

A presença de Liedson Ferraz, com sua atuação como jornalista, pesquisador e crítico teatral, acrescentou à conversa uma perspectiva fundamental: a necessidade de pensar o teatro, analisá-lo e discutir seus caminhos.

Para Júnior Mosko, a existência de pensadores dedicados às artes cênicas é essencial para que a produção teatral não fique restrita apenas ao fazer artístico.

Crítica, pesquisa, memória, documentação e reflexão também fazem parte da construção da história do teatro.



O teatro não vai morrer

Apesar das preocupações com as transformações provocadas pela tecnologia e pelas redes sociais, Júnior Mosko mantém uma convicção:

o teatro jamais morrerá.

Para ele, enquanto existir a necessidade humana de contar histórias, emocionar, questionar e estar diante do outro, haverá espaço para o teatro.

A tecnologia pode mudar comportamentos, criar novas linguagens e transformar a maneira como o público se relaciona com a cultura. Mas o encontro entre ator e espectador continua sendo uma experiência essencialmente humana.

O encontro entre Júnior Mosko e Liedson Ferraz deixa justamente essa reflexão: o futuro do teatro dependerá da capacidade de compreender as novas tecnologias sem abandonar aquilo que está na essência da arte teatral — o encontro, a presença, a palavra, o corpo e a emoção compartilhada ao vivo.