Júnior Mosko e presidente do SATED-PE discutem valorização e reconhecimento dos profissionais das artes
Encontro em Pernambuco abordou a realidade dos artistas, a importância da DRT, a regulamentação profissional e a necessidade de fortalecer a representação sindical da categoria
O diretor, produtor e apresentador Júnior Mosko se reuniu em Pernambuco com Mísia Coutinho, presidente do Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões de Pernambuco (SATED-PE), para uma conversa sobre os desafios enfrentados pelos profissionais das artes no estado e em diferentes regiões do Brasil.
O encontro foi marcado por uma ampla discussão sobre a realidade do mercado artístico, o reconhecimento profissional e a importância de garantir que artistas e técnicos tenham seus direitos respeitados nas produções.
Durante a conversa, Mísia Coutinho destacou a necessidade de fortalecer a categoria e defendeu que os profissionais tenham sua DRT devidamente reconhecida e validada pelo Ministério do Trabalho, garantindo que o exercício profissional seja realizado dentro das normas estabelecidas.
A presidente do SATED-PE também ressaltou a importância de as produções artísticas valorizarem e contratarem profissionais da área, contribuindo não apenas para a qualidade dos espetáculos e projetos, mas também para o fortalecimento do mercado de trabalho dos artistas e técnicos.

Uma luta que acompanha Júnior Mosko há décadas
A defesa da regulamentação e da valorização profissional não é um tema novo para Júnior Mosko.
Durante duas gestões, nos anos 2000, Mosko exerceu o cargo de secretário-geral do Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões do Estado de São Paulo (SATED-SP), participando diretamente das discussões relacionadas aos direitos e às condições de trabalho dos profissionais da categoria.
Ao longo de sua trajetória sindical, Mosko também participou de encontros e discussões internacionais ligados à Federação Internacional de Atores (FIA) e à FIALA, levando para esses espaços a defesa do reconhecimento profissional e do fortalecimento dos trabalhadores das artes.
Para Mosko, a questão passa diretamente pela valorização da profissão e pela organização da própria categoria.
“Essa é uma luta que eu já venho travando há muitos anos. O artista precisa ser reconhecido como profissional e ter seus direitos respeitados. Os contratos de trabalho precisam chegar aos sindicatos, porque é também dessa maneira que fortalecemos a categoria e conseguimos acompanhar as condições em que nossos profissionais estão trabalhando”, afirmou Júnior Mosko.
A história da regulamentação profissional
Durante o encontro, Júnior Mosko também fez questão de resgatar a história da luta pela regulamentação da profissão artística no Brasil.
Entre os nomes lembrados está o de Lélia Abramo, importante referência na defesa dos direitos dos artistas e na luta pela regulamentação profissional. Mosko recorda especialmente o período do final da década de 1970, quando artistas e representantes da categoria se mobilizaram intensamente para que a profissão fosse reconhecida.
Segundo Mosko, essa trajetória não foi simples e envolveu resistência, pressão e até perseguições contra aqueles que estavam à frente da luta pela regulamentação.
Para ele, conhecer essa história é fundamental para que as novas gerações compreendam que muitos dos direitos conquistados pelos artistas brasileiros são resultado de décadas de organização e mobilização.

Sindicatos como instrumentos de fortalecimento
Outro ponto destacado por Júnior Mosko foi a importância dos sindicatos no acompanhamento das relações de trabalho.
Na avaliação do artista, o fortalecimento da categoria passa pela participação efetiva dos profissionais e pelo conhecimento dos próprios direitos. Nesse contexto, os contratos de trabalho e as relações entre artistas, produtores e empresas precisam ser acompanhados pelas entidades representativas.
A discussão também chama atenção para uma questão recorrente no setor cultural: não basta produzir arte; é preciso garantir condições dignas para quem trabalha para que essa arte aconteça.
Artistas, técnicos, produtores e demais profissionais envolvidos em uma produção fazem parte de uma cadeia profissional que precisa ser reconhecida e valorizada.
Pernambuco e São Paulo unidos pela cultura
O encontro entre Júnior Mosko e Mísia Coutinho também representa uma aproximação importante entre profissionais e representantes da categoria de diferentes estados.
Para Mosko, esses encontros são fundamentais porque permitem trocar experiências, conhecer realidades distintas e identificar problemas que muitas vezes são comuns aos trabalhadores da cultura em todo o país.
O intercâmbio entre São Paulo e Pernambuco demonstra que a defesa dos direitos dos artistas não pode ficar restrita a uma única cidade ou estado.
A luta pela valorização profissional, pelo reconhecimento da DRT, pelo respeito aos contratos de trabalho e pela dignidade dos trabalhadores das artes é uma pauta nacional.
O encontro reforça, assim, a importância da união entre sindicatos, artistas, produtores e demais profissionais da cultura para construir um setor mais organizado, profissionalizado e respeitado.

Um compromisso que atravessa gerações
A conversa entre Júnior Mosko e Mísia Coutinho deixa uma mensagem importante: os avanços conquistados pela classe artística são resultado de uma construção coletiva e precisam ser constantemente defendidos.
Enquanto novas gerações chegam ao mercado cultural, a história daqueles que lutaram pela regulamentação e pelo reconhecimento da profissão permanece como referência.
Para Júnior Mosko, aproximar experiências, fortalecer os sindicatos e manter o diálogo entre profissionais de diferentes regiões é fundamental para que a categoria continue avançando.
Mais do que um encontro entre representantes da cultura de São Paulo e Pernambuco, a reunião simboliza a continuidade de uma luta que atravessa gerações: o reconhecimento, a valorização e o respeito a quem faz da arte uma profissão.

