Júnior Mosko reencontra Lia de Itamaracá 25 anos depois, e encontro termina em emoção, abraços e uma ciranda a dois
Artistas que já haviam dividido um projeto há 25 anos voltam a se encontrar em Recife em um momento marcado por afeto, memória e reconhecimento
Há encontros que o tempo não apaga. Vinte e cinco anos depois de terem realizado um projeto juntos, Júnior Mosko e Lia de Itamaracá voltaram a se encontrar em Recife. O reencontro, que inicialmente poderia ser apenas mais um momento da passagem de Mosko pela cidade, acabou se transformando em uma das cenas mais emocionantes de sua viagem.

Nos bastidores, longe dos holofotes, os dois grandes nomes da arte brasileira puderam conversar, relembrar histórias e celebrar uma trajetória que atravessou décadas.
A emoção tomou conta do camarim. Entre abraços, beijos e palavras de carinho, Júnior Mosko não escondeu a emoção diante do reencontro com Lia, uma artista que ele admira e com quem compartilha uma história profissional iniciada há um quarto de século.
“Você foi importante para a arte antes de se falar tanto em inclusão”
Durante o encontro, Lia de Itamaracá fez questão de falar sobre a importância de Júnior Mosko no cenário artístico, especialmente pelo trabalho que desenvolve há muitos anos.
Segundo Lia, Mosko já defendia e desenvolvia ações de inclusão e valorização das diferenças muito antes de esses temas ganharem a dimensão e a visibilidade que possuem atualmente.
A declaração emocionou Júnior e todos os que acompanhavam aquele momento. Para Lia, reconhecer essa trajetória é também reconhecer uma história de compromisso com a arte e com pessoas que muitas vezes estiveram à margem dos grandes espaços culturais.

O encontro ganhou ainda mais significado justamente por colocar frente a frente dois artistas com trajetórias distintas, mas unidos por uma compreensão semelhante: a arte precisa ser instrumento de encontro, inclusão e transformação.
“Que Beijo Doce”: uma lembrança que veio da infância
E quando parecia que a emoção já havia chegado ao seu ponto máximo, Lia surpreendeu Júnior.
Os dois cantaram, de rostinho colado, a música “Que Beijo Doce”, em um momento espontâneo e absolutamente afetivo.
Para Júnior Mosko, aquela canção carregava uma lembrança muito particular: era uma música que sua avó materna cantava para ele.
Por isso, cantar a música justamente naquele momento, ao lado de Lia, transformou a cena em algo ainda mais íntimo e simbólico. Não era apenas uma canção. Era uma lembrança da infância encontrando-se com uma história de 25 anos de amizade e arte.
Todos os que estavam no camarim perceberam imediatamente a dimensão daquele instante. A equipe, artistas e profissionais presentes se emocionaram diante da cena.
Por alguns minutos, o camarim deixou de ser apenas um espaço de preparação para se transformar em um lugar de memória, afeto e celebração da vida através da arte.

Lia de Itamaracá: a Rainha da Ciranda
Maria Madalena Correia do Nascimento, conhecida artisticamente como Lia de Itamaracá, é uma das maiores referências da cultura popular brasileira e um dos símbolos da ciranda pernambucana.
Nascida na Ilha de Itamaracá, Pernambuco, Lia começou a cantar e dançar ciranda ainda muito jovem. Sua trajetória se tornou inseparável da preservação e divulgação dessa manifestação cultural, levando a ciranda pernambucana para diferentes partes do Brasil e também para o exterior.
Lia foi reconhecida como Patrimônio Vivo de Pernambuco em 2005, uma distinção destinada a mestres e mestras que contribuem para a preservação e transmissão dos saberes da cultura tradicional. (Assembleia Legislativa de Pernambuco)
Sua trajetória também inclui discos, apresentações internacionais e encontros com diferentes gerações de artistas. Em sua carreira, Lia estabeleceu diálogos com outros ritmos e artistas sem abandonar a essência da ciranda. (Transparência PE)
A dimensão de sua importância para a cultura pernambucana também foi reconhecida com o título de Doutora Honoris Causa pela Universidade Federal de Pernambuco, além de outras homenagens e condecorações. (Assembleia Legislativa de Pernambuco)
Dois artistas, uma história que o tempo não apagou
O reencontro de Júnior Mosko e Lia de Itamaracá deixa uma imagem poderosa: dois artistas que se conheceram profissionalmente há 25 anos e que, décadas depois, ainda conseguem se emocionar ao estar novamente frente a frente.
A cena do abraço, os beijos, o carinho e a música compartilhada mostram que algumas relações construídas pela arte ultrapassam projetos, palcos e calendários.
E talvez seja justamente essa a maior beleza daquele encontro.
Júnior Mosko e Lia de Itamaracá não apenas se reencontraram. Eles reencontraram uma parte de suas próprias histórias.
Um encontro que começou há 25 anos, atravessou o tempo e terminou — ou talvez tenha apenas recomeçado — com um abraço, um beijo e uma canção cantada bem de perto.
Dois grandes artistas. Uma história. Vinte e cinco anos depois, a mesma emoção.

